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Funeral de um Rei no século XXI

25 de March de 2015

Após mais de 500 anos, Inglaterra realiza funeral digno de um Rei à Ricardo III

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ricardo_iii

A batalha

22 de agosto de 1485, em um campo pantanoso perto da vila de Sutton Cheney em Leicestershire, Ricardo III liderou a última carga de cavalaria da história Inglesa. Era a última batalha da Guerra das Duas Rosas. Que nasceu de uma longa disputa entre duas dinastias – os Lancaster, que detinham a coroa real e um brasão com uma rosa vermelha; e os York, aspirantes ao poder, que traziam consigo uma rosa branca – pelo trono inglês.

As duas famílias adversárias eram descendentes da dinastia Plantageneta. Nesta altura a Casa de Lancaster apoiava as pretensões de Henrique Tudor, mais tarde Henrique VII, que tinha fugido ainda adolescente para a Bretanha. Quando Henrique desembarcou na Inglaterra em marcha em direção à Londres, ele consegue formar um exército com cerca de 5 mil homens. Ao saber da notícia, Ricardo, juntou suas tropas (com cerca de 10 mil homens), e intercepta as forças de Henrique aa sul da cidade de Market Bosworth, em Leicestershire. Um detalhe importante, Thomas, Lord Stanley e William Stanley também levaram as suas forças para o campo de batalha, mas aguardaram enquanto decidiam qual o lado que seria mais vantajoso apoiar.

Ricardo separou o seu exército em três grupos. Um ficou sob o comando do Duque de Norfolk e outro no de Conde de Northumberland. Henrique ficou com a maioria da sua força pessoal sob o comando do Conde de Oxford. A força de vanguarda de Ricardo, comandada por Norfolk, atacou mas se atrapalhou com os homens de Oxford a sua frente e parte de sua tropa fugiu. Quando o Conde de Northumberland foi ordenado a atacar, ele ficou parado, assim Ricardo decidiu fazer uma carga através do campo para matar Henrique e pôr um fim à batalha. Ao ver os cavaleiros do rei separados do seu exército, os Stanley intervieram; Sir William levou os seus homens próximo às forças de Henrique, assim cercaram e matando Ricardo. Depois da batalha, Henrique foi coroado rei em Crown Hill.

Um Rei renasce

Por causa das circunstâncias de sua ascensão e as consequências da vitória de Henrique Tudor, o corpo de Ricardo III foi enterrado sem nenhuma pompa e ficou perdido por mais de cinco séculos. Durante anos, a Plantagenet Alliance (criada por descendentes da família de Ricardo) fez campanha para que fossem feitas escavações em um estacionamento que já tinha sido parte do antigo mosteiro onde o soberano foi enterrado pela primeira vez. Após a descoberta dos restos mortais, os testes que os compararam com o DNA dos descendentes da irmã mais velha do monarca confirmaram a identidade de Ricardo III.

Após grandes discussões entre a Plantagenet Alliance e a Catedral e a Universidade de Leicester sobre o qual deveria ser o novo destino do rei, finalmente chegaram num acordo. Neste último domingo, dia 22 de Março de 2015, um carro fúnebre levou o caixão por marcos históricos do País, como Leicestershire e o campo de batalha em Bosworth, onde o monarca foi morto em 1485.
Apesar do contra-gosto da Coroa, a Inglaterra quis voltar atrás no tempo e dar a Ricardo III um enterro mais apropriado do que o que teve após sua morte e um lugar de repouso mais digno que o subsolo do estacionamento municipal onde foi encontrado há três anos.

O presidente da Sociedade Ricardo III, Phil Stone, acredita que este evento serviu para demonstrar que ele não era “tão obscuro” como sugeriu a literatura desde Shakespeare, que o pintou como um homem corcunda, ambicioso e cruel. O bispo anglicano de Leicester, Tim Stevens, lembrou que, “há mais de 500 anos, Ricardo foi tirado deste campo de batalha ensanguentado e nu”. “Temos a oportunidade de deixar que Ricardo faça novamente essa viagem, mas desta vez com a dignidade própria de um rei”, disse o sacerdote, que o batizou como “o rei bom, o rei guerreiro”.

Após esse percurso, o cortejo cruzou a ponte Bow Bridge, que marcava os limites da Leicester medieval, para desfilar por sua parte antiga, até que o caixão, transportado em uma carruagem, chegou a seu destino final na catedral. O serviço religioso no templo foi oficiado pelo cardeal Vincent Nichols, arcebispo católico de Westminster, em atenção à fé católica do antigo monarca, que viveu décadas antes da reforma da igreja da Inglaterra, durante o reinado de Henrique VIII.

Um novo destino

O caixão permanecerá exposto até quinta-feira, quando será realizado o funeral, no qual participarão o arcebispo de Canterbury, o anglicano Justin Welby, e representantes da Igreja Católica e de outras religiões. Durante esse ato na quinta-feira, está prevista a leitura de uma mensagem de saudação enviada pela rainha Elizabeth II.

530 anos depois daquele 22 de agosto de 1485, o mundo tem a oportunidade de assistir a um funeral de um monarca medieval e Ricardo III passará a descansar em um local digno de um rei.

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