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Cavalaria – A instituição Feudal dos Nobres

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Após a queda do Império Romano do Ocidente, a Europa entrou num período de desordem e insegurança durante o qual os mais fortes impunham sua autoridade nos territórios que conseguiam controlar. Guerreiros bem adestrados, equipados com cavalo e armadura, entravam para o serviço dos senhores feudais, que os recompensavam com terras e vassalos. A cavalaria surgiu como recurso de defesa dos romanos contra as invasões bárbaras, que usavam o cavalo, e substituiu paulatinamente a infantaria romana. Até o século X, a necessidade de defesa era tão grande que todo homem forte e corajoso era também um combatente. Esses guerreiros constituíram a base da hierarquia feudal: dependiam de um senhor ou suserano, ao qual se ligavam por juramento de fidelidade e por obrigações vassálicas. Atingindo a maioridade, eram armados cavaleiros.

No período carolíngio (do século VIII ao X), a cerimônia de sagração tinha um caráter exclusivamente leigo. A partir do século X, a cavalaria pesada tornou-se dominante e progressivamente exclusiva. Os exércitos do ocidente europeu se constituíam de tropas de cavaleiros fortemente armados, com elmos de ao que cobriam toda a cabeça, corpo protegido por armadura de malha de aço, espada, punhal, lança e escudo. Mesmo os cavalos eram protegidos por armadura de malha. Essas transformações decorreram de melhorias técnicas adotadas na Europa ocidental e transformaram a cavalaria numa atividade altamente dispendiosa, à qual poucos tinham acesso. Lutar montado era prestigioso por causa do alto custo dos cavalos, armas e armaduras. Somente indivíduos abastados, ou os serventes dos ricos, podiam lutar a cavalo. Os cavalos, quando apropriados ao combate alcançavam preços elevadíssimos; as táticas de combate exigiam constante renovação da montaria e as peças do armamento, em economias agrícolas e artesanais como as do período feudal, eram também muito valorizadas. Das restrições ao ingresso à cavalaria surgiu uma obrigação do vassalo em relação ao suserano: o dever de ajuda, contribuição obrigatória para auxiliar o senhor a armar cavaleiro seu filho primogênito.

O período áureo da cavalaria feudal transcorreu entre os séculos X e XII na Europa devido principalmente ao sucesso dos Normandos. O título de cavaleiro tornou-se hereditário e constituiu-se uma casta militar que adquiriu, por direito costumeiro, privilégios especiais. A cavalaria tornou-se então um monopólio dos descendentes de cavaleiros. Embora tivesse como modelo as táticas das antigas tribos germânicas, a cavalaria cristã, ao contrário desses guerreiros individualistas, submeteu-se ao trabalho disciplinador do poder real e sobretudo da igreja, que a tornou obediente a certas regras e princípios.

Além dos cavaleiros, homens que eram obrigados a apresentar suas “lanças” ao seu senhor, a cavalaria era constituída por escudeiros, cavaleiros das ordens religiosas e dos concelhos (também conhecidos por cavaleiros-vilãos) e “cavaleiros da espora dourada” (ricos, mas sem nobreza). Cada “lança” constituía um grupo de 4 até 10 homens, formado pelo seu chefe, por ser sarjento, seu (s) escudeiro (s), homens armados (normalmente montados), arqueiros ou besteiros e por fim pelo pagem. Cinco ou seis lanças formavam uma bandeira, subordinada a um chefe. 100 lanças constituíam uma companhia de homen armados (men-at-arms – sinônimo para soldado no período medieval). O que daria em torno de 400 a 1000 homens armados.

No tempo de D. João I, foi determinado que os senhores das terras deveriam fornecer 840 lanças e as ordens militares então existentes (Hospitalários, de Santiago de Espada, de Avis e de Cristo) deveriam participar nas hostes com 340 lanças. Há registros de 2360 ser o o número de lanças sendo fornecidas pelos cavaleiros restantes. Assim, ele dispunha-se de um total de 3540 lanças, às quais se juntaria a cavalaria da ordenança ou do couto, isto é, os cavaleiros-vilãos.

A INVESTIDURA

Edmund Leighton – “The Accolade”

O ingresso na cavalaria evoluiu com o tempo para um processo formal. O pretendente, geralmente nobre, iniciava sua formação como pajem, aos sete anos, na casa de um parente ou suserano do próprio pai. Ao completar 12 anos, entrava para o serviço de seu senhor feudal e recebia instrução militar e formação em outras disciplinas. Se provasse sua competência, aos 14 anos, tornava-se escudeiro numa cerimônia em que lhe entregavam a espada e as esporas de prata. A partir daí acompanhava seu senhor nas campanhas militares. Finalmente, aos 21 anos, mediante um ritual de caráter religioso, o jovem se tornava cavaleiro.

O cerimonial de ascensão a cavaleiro variou consideravelmente ao longo da história e nas diferentes regiões da Europa. O ritual podia ser complexo, realizado na presença do rei e em dia de festa, ou muito simples, no próprio campo de batalha. O jejum, a vigília das armas, a comunhão e a bênção da espada constituíam a base do cerimonial. O aspirante a cavaleiro pronunciava então seu juramento, segundo diferentes fórmulas.

Ajoelhava-se diante seu senhor e prestava o devido juramento, recebia no ombro ou na nuca um golpe desferido por seu senhor com a parte plana da espada. Seu senhor, por sua vez, dava-lhe três golpes no ombro com a espada, simbolizando as últimas ofensas que haveria de admitir, e dizia: “Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge, eu vos armo cavaleiro. Sede valente, leal e generoso.” Por fim, no pátio do castelo, o cavaleiro recém-sagrado saltava sobre seu cavalo e galopando, demonstrava com sua espada e sua lança as técnicas que demonstravam sua destreza.

No século XI, certas fórmulas do ritual punham em evidência a influência da igreja: o sacerdote benzia a espada e lembrava que ela devia servir à igreja, às viúvas, aos órfãos e a todos os servidores de Deus contra a crueldade dos pagãos. No século XII, o ritual incluía a purificação com um banho e o cavaleiro recebia uma camisa de linho, símbolo da pureza, e uma túnica vermelha, imagem do sangue que devia verter em defesa do ideal cristão.

Os ideais da cavalaria foram enriquecidos com a adoção rigorosa dos princípios cristãos, como o respeito à igreja, a busca do Santo Graal, lealdade ao senhor, defesa da honra e outros. A honra era considerada qualidade essencial de um cavaleiro: dela deveria cuidar mais que a própria vida. Se um cavaleiro cometesse ato de covardia, impiedade, traição ou outro delito que manchasse o ideal cavaleiresco, era submetido à degradação: suas armas eram publicamente quebradas e pisoteadas; tiravam-se as esporas, e seu escudo – do qual se arrancava o brasão – era arrastado na cauda de um cavalo, era proclamado infame e todos podiam injuriá-lo. Depois coberto de trapos, levavam-no para a igreja numa padiola, ao som de músicas fúnebres, por meio dessa encenação, o ex-cavaleiro era considerado morto.

Cerimônia de investidura no Palácio de Buckinham

A fase de cristianização da cavalaria culminou com as cruzadas, que uniram num esforço comum os cavaleiros da Europa cristã. A igreja e as monarquias de diversos países criaram as ordens militares, de duplo caráter — religioso e militar –, cujo objetivo era defender a fé cristã e, no caso da Espanha e Portugal, reconquistar os territórios ocupados pelos muçulmanos. A mais antiga dessas ordens foi a dos Hospitalários de São João de Jerusalém, mais tarde chamada dos Cavaleiros de Rodes e em seguida de Malta. Outras ordens não menos importantes foram as dos Templários, a do Santo Sepulcro e a de São Lázaro. Na Espanha, destacaram-se as ordens de Calatrava, de Santiago e Alcântara.

Do final do século XI a meados do XIII, as relações entre os cavaleiros e o sistema feudal sofreram profundas mudanças. As hostes feudais (a força militar que os vassalos deviam ao seu suserano)  que haviam sido úteis para a defesa no interior de um reino, mostraram-se ineficientes para expedições prolongadas como as cruzadas. Os reis começaram então a desvirtuar os princípios da cavalaria, outorgando ordens a grandes proprietários de terras e organizando exércitos mercenários (Companhias livres). O fim das cruzadas e a inferioridade militar dos cavaleiros frente à infantaria, aos arqueiros e à recém-surgida artilharia, assim como a decadência do sistema feudal em favor das monarquias centralizadoras, acabaram, ao longo dos séculos XIV e XV, com a cavalaria medieval.

Difundiu-se então o ideal galante dos cavaleiros andantes, exaltado pela literatura de cavalaria e materializado nos torneios, justas e passes de armas.

OS TORNEIOS

Simulações de batalhas entre cavaleiros, chamadas de torneios, começaram no século X e foram imediatamente condenadas pelo segundo Concílio de Latrão, sob o Papa Inocêncio II, e pelos reis da Europa, os quais se opunham aos ferimentos e mortes de cavaleiros no que eles consideravam uma atividade frívola. Os torneios floresceram, entretanto, e se tornaram parte da vida do cavaleiro.

No século XIV, o aperfeiçoamento das armas de fogo curtas e a formação dos corpos de cavalaria ligeira próprios dos exércitos modernos determinaram a obsolescência bélica da antiga cavalaria pesada. A tática tradicional dos cavaleiros medievais – carga contra a linha inimiga mediante o emprego de lanças e espadas pesadas – foi substituída pela mobilidade da nova cavalaria, cujo ataque se apoiava em arcabuzes e balestras.

Convertidos em casta nobiliárquica subordinada ao poder real, os cavaleiros perderam a condição de guerreiros e passaram a viver de rendas ou como cortesãos. A decadência dos ideais da cavalaria na Espanha do século XVI foi magistralmente descrita por Miguel de Cervantes na obra El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha.

A ARMADURA E SUA SIMBOLOGIA

Fontes:  Marc Bloch – A Sociedade Feudal

Wikipedia.org

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