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Die Meisterhau

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Talhoffer Fechtbuch Wikimedia

O que eles são e o que eles não são

Por Bartholomew Walczak e Jacob Norwood – Tradução por Lucas Bucchile

“Eu preciso, então, lembrar o gentil leitor de que, nesta arte, tudo até agora apoiou-se em dominar totalmente os cinco Golpes de Mestre, e, de fato, similarmente, tudo cresce daqui para frente somente por avançar esta arte para níveis mais fluidos e úteis, e de outras seções mover-se adiante para encontrar a arte, e comportar-se de acordo com as diferenças subjacentes, então você terá firmemente tornado esta arte outra, e assim mais fácil e levemente dominado-a por estar preparado por diferentes visões.”

Joachim Meyer sobre a Espada Longa, 1570.

O mestre de esgrima Joachim Meyer, nas suas Completas Descrições da Arte Cavalheiresca da Esgrima (primeiramente publicadas em 1570), descreve cinco golpes chamados Meisterhauwen, ou “Golpes de Mestre”. Embora este pareça ser o primeiro uso registrado do termo, certamente não foi a primeira aparição destas cinco técnicas do núcleo da esgrima alemã:

Zornhau, Krumphau, Zwerchhau, Scheitelhau e o Schielhau.

Os mestres da Alemanha (N.T – Nesta época a região que conhecemos hoje como o país Alemanha era denominada por Sacro Império Romano Germânico) medieval do século anterior as ensinaram como “Verbogen Haue” ou “Funff Haue”, significando os “golpes secretos” ou “ocultos”, e também “os cinco golpes”. Como os termos “golpe de mestre” e “corte secreto” implicam, estes golpes não eram comumente conhecidos. Apesar de significante sobreposição a técnicas básicas, sua forma ou função os distinguem de cortes mais instintivos. Ao entender a função dos golpes é vital reconhecer que estes cinco golpes secretos foram descritos para uso durante o Blossfechten (“combate sem armadura”).

O Grão-Mestre Johaness Liechtenauer, que proeminentemente destacou os golpes secretos nos seus versos de luta do século XIV, apresentou o seu próprio sistema alternativo de combate com armadura sem menção ou necessidade destas, em outros casos, importantes técnicas (pela razão óbvia de que tais cortes eram inúteis contra armaduras de placas). A maneira de execução dos cinco “golpes de mestre” resulta da natureza do Blossfechten – rápida, eficiente, enganosa, sem movimentos amplos ou inúteis.

Em certas instâncias a força de um corte é sacrificada em favor de sua rapidez e capacidade inata tanto para defesa preventiva como para uma reação versátil. O objetivo de cada um dos cinco golpes é manter a iniciativa sobre o oponente, que já se comprometeu com seu próprio ataque, de acordo com o princípio do Nach (“Depois”) ou quebrar uma guarda (posição) em que ele se encontra de acordo com o princípio do Vor (“Antes”). Enquanto quebrar uma guarda é auto-explicativo, a recuperação de iniciativa requer mais explicação, assim como o conceito de que o conceito de que estas duas ações são realmente uma só.

A chave em realizar os Meisterhauwen com sucesso está em entender a geometria das opções do oponente, e como cada um dos cinco golpes supera um grupo de ações possíveis ou correntes. Como esclarecido na descrição individual de cada corte, abaixo, os Mastercuts fecham defensivamente uma linha de ataque do oponente enquanto simultaneamente contra-ataca.

Devido às posições que um dado golpe quebra serem as mesmas das quais são originados os cortes que estas posições favorecem, pode-se usar o mesmo Meisterhau para quebrar uma posição ou reagir ao ataque que veio desta posição. O resultado é uma defesa sólida que fecha a linha de ataque enquanto transforma-se instantaneamente em um corte de tempo único ou configura um poderoso golpe subseqüente (tanto um corte ou estocada).

Nisso nós vemos o método para a aparente loucura quando os velhos mestres afirmam que você não deve olhar para o que seu oponente está fazendo, mas agir. Um elemento importante para realizar os Mastercuts com sucesso é atacar confiantemente o oponente – não sua arma – enquanto entendendo que a natureza do golpe usado irá protegê-lo do ataque iminente, sem pensar mais. Esta não é uma questão de timing perfeito, como pode ser suposto, mas sim de correta geometria, realizada por simples resposta de mecanismo de treino. Se um oponente assume a guarda x, você golpeia com Meisterhau y, que automaticamente defende todos os ataques possíveis da x e simultaneamente golpeia seu oponente, ou caso contrário o compromete. Mortes mútuas são inaceitáveis nesta arte; uma defesa apropriada o protege colocando-o em uma posição de vantagem, da qual você corta, fatia, ou estoca.

Os cinco golpes de mestre também brilham na sua remoção do problema da distância por simplesmente anularem um ataque (o que remove você de um golpe, mas não consegue colocá-lo em uma posição ofensiva de vantagem – constituindo uma “má defesa”, como Liechtenauer e Meyer ensinaram). Ao invés, os golpes de mestre, por sua natureza, colocam sua lâmina contra a de seu oponente, permitindo-lhe instantaneamente “sentir” (Fühlen) a pressão que ele exerce e agir apropriadamente, permitindo controle da sua espada. A ênfase de Liechtenauer em travar espadas desta maneira não deve ser negligenciada, mas muitos praticantes têm dificuldades de atingir tal travamento com qualquer regularidade. As cinco técnicas secretas são naturais conducentes para técnicas de winding e travamento de todo os antigos mestres, que permitem que mesmo um contra-ataque falho retenha sua posição de vantagem.

Descrição, Funções e Prática dos Cinco Meisterhauwen

Todos os 5 golpes têm coisas em comum. Primeiro e mais importante, footwork correto é absolutamente crucial. Tomando um espadachim destro, todas as cinco técnicas devem ser executadas a partir do lado direito (geralmente sobre o ombro direito, Vom Tag) com um passo transversal para a direita com o pé direito (movendo-se em direção ao flanco esquerdo do oponente), seguido por uma breve articulação do pé esquerdo de trás-e-para-a-direita. Este padrão é referido como “Passo Triangular” nos ensinamentos de Joachim Meyer, como também naqueles de Hans Lebkommer, um século antes, entre outros. Segundo, a questão da pegada deve ser entendida como sendo flexível. Enquanto o Zornhau e o Scheitelhau têm pouca necessidade da “pegada com o polegar” (com a espada girada em sua mão, fio verdadeiro voltado para a esquerda, coloque o polegar na chapa da lâmina ou no ricasso, ou sobre o lábio da cruz), e o Zwerch e Schielhau serem praticamente impossíveis de outro modo. Prática adicional e proficiência resultante reduzirão sua necessidade de aderência servil a estas orientações de passo e pegada, mas somente depois de algum tempo. Finalmente, lembre-se de que o seu alvo é sempre a cabeça ou o corpo do seu oponente, nunca sua arma. Não pense sobre o ataque de seu oponente desde que você tenha observado sua posição de início e começou o seu contra-ataque mestre, e você irá prevalecer; lute contra a arma ao invés de seu empunhador, e irá achar estas técnicas decepcionantes.

Zornhau (“Golpe da Fúria”)

Este é o golpe descendente diagonal básico, da direita, que quase todos os lutadores instintivamente conhecem. Ele quebra a guarda alta ou Vom Tag. No momento acreditamos que a execução “secreta” deste golpe está contida na técnica “Zornhau-ort”, a saber: o golpe não deve terminar na Nebenhut de Ringeck ou no Wechsel de Meyer, mas em uma posição mais baixa (similar a um Pflug da esquerda levemente estendido com o fio falso para cima), para que sua ponta esteja direcionada até seu oponente. Isto é mais fácil de entender quando percebemos que sua lâmina deve manter pressão de contato com a do oponente uma vez que ela a atinja. A partir daqui, o “ort”, ou estocada, é empregado. Alternadamente, um Zornhau realizado Indes (no instante) contra outro Zornhau vindouro, mas direcionado à cabeça do oponente – não sua arma – irá simultaneamente fechar a linha do ataque iminente e atingir o oponente na sua abertura superior esquerda. Caso um deles se aproxime de falhar, uma trava simples resulta do ataque, da qual dúzias de técnicas podem se originar. Exemplo gravado pelo grupo MEMAG

Krumphau (“Golpe Torto”)

Este golpe quebra a posição Ochs, ou qualquer estocada vinda de uma postura alta, exterior e horizontal. Realizado com qualquer fio, mas geralmente o curto, com o Krumphau você golpeia para frente a partir de cima ou em direção às mãos do oponente, também partindo de cima, ou então trava contra sua espada a partir de baixo (como no Kurtzauw de Meyer, este próprio uma derivação do Kruphauw). Faça uso do polegar como necessário para nivelamento. Tanto Talhoffer quanto Meyer trazem excelentes ilustrações deste golpe comumente incompreendido. Tanto a Vom Tag sobre o ombro (Zornhut) e a Schranckhut da direita são quase invariavelmente listadas como as posições originárias do Krumphau, mas ele pode efetivamente surgir a partir da Pflug também. Realize este Mastercut com a Vom Tag sobre o ombro direito estendendo seus braços para frente e cruzando a mão direita sobre a esquerda, forçando a espada a atacar com o cabo movendo-se para frente a partir da Kron (ou posição da “coroa”) e a lâmina pendendo para baixo, como que quase aparentemente por baixo. O Krumphau é realizado mirando o golpe diagonalmente levantando o pomo e puxando a cruz para trás enquanto você empurra para frente com o cabo e dá um passo transversal, adicionando o quadril no corte como em qualquer outro golpe. A posição final é equivalente a um Hangentorte (“ponta pendurada”) ou mesmo uma posição Ochs, dependendo de como se dá o impacto. Um ataque imediatamente seguinte pode ser uma estocada. A ação não é toda sobre o topo, como um movimento de limpador de pára-brisas, tampouco vem de baixo para baixo. Exemplo gravado pelo grupo MEMAG

Zwerchhau (“Golpe Transversal”)

O Zwerch quebra a guarda Vom Tag e todos os cortes vindos de cima, em adição a outros Zwerchhauen. Este é um ataque multifacetado, os alvos do qual incluem a cabeça, as mãos ou o corpo. Você pode atacar qualquer uma das quatro aberturas com o Zwerchhau, desde que proteja a cabeça e o rosto com sua cruz-guarda. Pense nisso como um “rotor de helicóptero”, atacando da Ochs esquerda horizontal para a Ochs direita horizontal, fazendo completo uso do polegar para nivelamento. Você golpeia com o fio falso a partir de sua direita e com o fio verdadeiro a partir de sua esquerda. Este é um golpe enganosamente poderoso e facilmente a melhor representação do que os Meisterhauwen podem realmente fazer em termos de poder (use os quadris!), geometria (qualquer corte sobre a mão é impedido), e versatilidade de seqüência (ataque de tempo único, estocada subseqüente, ou puxada para o outro lado, alta ou baixa). Adicionalmente, diferente de um corte horizontal para o lado direito usando o fio verdadeiro, cortar com o fio curto em um Zwerchau permite que o cabo permaneça defensivamente na frente da cabeça e o braço esquerdo permaneça curvado para preparar uma estocada. Exemplo gravado pelo grupo MEMAG

Schielhau (“Golpe Estrábico”)

Não há razão precisa pela qual este ataque é nomeado o golpe estrábico, mas diversas pistas apontam para a simulação feita com um olhar (vesgo) em direção à arma ou rosto do oponente. De novo você precisa usar o polegar, e atacará no mesmo caminho descendente do Zornhau, mas usando o fio falso (levemente girando a espada e o corpo no processo). O Schielhau quebra as posições de Pflug e Langen Ort, quer seja ultrapassando (Uberlauffen) ou atacando a espada com um deslizamento. Seus alvos incluem a cabeça ou ombro direito. Após fazer um Schielhau, pode-se acertar ou estocar seu oponente. Se feito apropriadamente, o ataque também pode desarmar seu oponente. O corte em si próprio pode terminar em uma posição Pflug. Joachim Meyer difere um pouco em sua descrição do Schielhau, realizando-o bem acima da cabeça pela Vom Tag e sem menção de seu poder para quebrar Pflug, por sua vez usando-o como uma variação para baixo e diagonal do Zwerch, ao invés de uma versão de fio curto do Zornhau. Exemplo gravado pelo grupo MEMAG

Scheitelhau (“Golpe da Coroa”)

Este é um golpe descendente vertical simples que almeja o topo da cabeça e quebra a posição de Alber através do princípio de Uberlauffen, “ultrapassando” ou “excedendo”. Como com todos os outros cortes, não esqueça de pisar offline enquanto você ataca. Este corte é de outro modo idêntico a um Oberhau vertical comum. Exemplo gravado pelo grupo Kunstdesfechtens (Canal no Youtube)

Conclusão

Os Meisterhauwen são apenas cinco golpes, mas suas combinações permitem todos os cortes usando qualquer fio dentro das oito linhas possíveis de ataque. Realizá-los rápida e fortemente é estar de acordo com as instruções de Liechtenauer para fazer ataques rápidos um após o outro sem pausa. Os Meisterhauwen são parte integral da tradição alemã sob o Grão-Mestre Liechtenauer e merecem nossa atenção não apenas por lealdade à precisão histórica em treino, mas talvez mais importante devido à sua utilidade quase ímpar. Treinos consistentes e práticas com os Mastercuts em foco irão transformar completamente uma arma já impressionante em outra cujas capacidades estamos somente começando a entender em nosso estudo insipiente das Artes Marciais Medievais e Renascentistas.

Artigo original

http://www.thearma.org/essays/mastercuts.html

As informações aqui traduzidas são de propriedade dos autores citados.

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