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espada e escudo

 

Depois da espada, o escudo talvez seja o símbolo que mais representa o período medieval. Por mais de dois mil anos o escudo foi uma peça militar fundamental, antes da antiguidade clássica até a Era das armadura de placas (1300-1500), eles eram usados desde pelos mais humildes camponeses até os mais nobres e ricos guerreiros. O escudo era muito valorizado desde os tempos antigos, algumas citações mostram o seu valor como a de Tácito “É suprema torpeza abandonar o escudo” (Stevenson) ou a frase da mãe espartana a seu filho “Espartano, volte com seu escudo, ou sobre ele”.

Ao contrário das espadas, os escudos não sofreram muitas modificações no modo de construção ao longo dos séculos, o modo era muito parecido desde os circulares dos gregos/macedônios conhecidos como “hoplon” , dos retangulares curvados romanos conhecidos como “scutum” ou das mais variadas formas de escudos celtas. Passando pelos escudos vikings e anglo saxões que adotaram o formato circular e mais tarde, no final de suas invasões, o formato de gota. Este formato era usado principalmente pela povo normando, e por causa de seu sucesso militar em vários locais da Europa, este formato acabará se tornando o mais popular entre a cavalaria e os soldados entre o séculos XI e XII.

cavalaria normanda

No séc XII o escudo assume o formato mais popular hoje em dia, o escudo se torna sinônimo de brasão, pois como os cavaleiros estava cobertos totalmente com armaduras, eles precisavam exibir suas identidades como forma de identificação no campo de batalha e também como forma de prestígio. Nasce assim a Heráldica, que se torna a principal forma de identidade até as revoluções burguesas.

Este formato era o mais popular, mas os outros formatos, como o normando, o circular, o pavés, o broquel e ainda específicos para justas ou torneios continuaram a ser utilizados até o séc XV. No Renascimento, o pavés ainda era muito usado por arqueiros e besteiros, e escudos menores se tornam populares entre os civis.

Tacuinum Sanitatis

O BROQUEL

Mesmo sendo tão presente nos campos de batalha, existem poucas manuais que demonstram as técnicas de espada e escudos grandes como o triangular ou normando. Talvez produziram poucos manuscritos à respeito destas técnicas ou poucos sobreviveram. Do manuais do período medieval, encontramos praticamente dois tipos de escudo, o grande usado nos duelos judiciais, e o broquel, o pequeno escudo que é pouco conhecido por nós hoje mas muito popular desde os tempos antigos.

(nota: os gregos usavam um de bronze que originou o mito de seus grandes escudos serem feitos do mesmo material, mas qualquer um que pegue uma peça de bronze do tamanho de um escudo grande poderá ver que era impossível manejar um feito deste material, os grandes eram feitos como os do medievo, tábuas ou chapas coladas.)

John Clements, em seu artigo “The Sword and Buckler Tradition” cita várias fontes de broquéis sendo usados desde o período Carolíngio até o final da Idade Moderna,  este período de mais de mil anos nos mostra o quão versátil este arma secundária era, tanto no campo de batalha quando no uso civil. Embora curiosamente, ela perca popularidade em um região e ganha em outra em diferentes eras, há vários manuais sobre espada e broquel em manuscritos do séc. XIV na Alemanha, mas hoje em dia não há nenhum do séc XV, como dissemos, podem não terem escrito, ou não sobreviveram, e acontece o contrário na Itália, Espanha e Inglaterra.

O manual de combate europeu mais antigo atualmente é o I33, escrito em Latim, o manual inteiro é sobre o combate com espada e broquel. Não se pode confirmar se segue a mesma escola de Lieuchtenauer, alguns estudantes dizem que há semelhanças e outros que há mais diferenças. Mas mesmo assim ele segue alguns princípios universais desta arma secundária, que vemos nos manuais posteriores como:

  1. Proteger a mão: O uso primário do broquel era proteger a mão que segurava a espada.
  2. Defletir: A leveza e seu formato curvado permitia desviar os ataques do oponente.
  3. Esconder: Mesmo sendo pequeno, o escudo permitia esconder a mão que empunhava a espada, dificultando a tentativa do oponente em adivinhar o próximo ataque.
  4. Punho de Metal: O broquel podia ser usado diretamente contra um oponente, atingindo seu rosto, braço ou tronco.
  5. Travamento: O broquel pode ser usado para travar o a mão, espada e broquel do oponente contra ele mesmo. Ele permite também várias técnicas de agarramento, principalmente os braços do oponente.

NOSSO TREINO:

Há manuscritos que ensinam combate com espada e escudos grandes, como os escudos de duelos judiciais ou manuais renascentistas, e alguns grupos fazem intercâmbio entre os manuais, e ainda com medievais e renascentistas para entender melhor o combate com espada e escudo triangular. Nós escolhemos a espada e broquel porque a a escola de Lieuchtenauer apresenta um sistema que segue os mesmo conceitos das outras armas de sua tradição e oferece uma boa base para uma futura pesquisa sobre os outros tipos de escudos do período.

Aconselhamos o praticante a aprender o combate com espada solo antes de começar a aprender as técnicas de espada e broquel, porém pode-se aprender sem nenhuma dificuldade, pois os 2 sistemas se complementam e o os princípios de combate e da esgrima alemã podem ser aprendidos durante o treino da espada longa, portanto pode-se aprofundar nas diferenças de posturas iniciais, ataques e contra-ataques.

Aqui está um pequeno vídeo com técnicas de espada e broquel do grupo Die Schlachtschule:

E O QUÊ PRECISO PARA TREINAR?

O praticante intermediário precisará apenas adquirir uma espada/sabre de madeira e adquirir um broquel de madeira, de couro ou até de metal. Também aconselhamos adquirir uma de metal aço/alumínio para otimizar o aprendizado.

A espada deverá ser a de uma mão:

woodenswords.com

Existem vários formatos de broquéis, os formatos mais populares são os seguintes:

woodenswords.com revival.us dakaodo

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