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As técnicas medievais de combate com faca

A faca foi uma das primeiras formas de armas feitas pelo homem, na pré-história ela era feita com pedras, ossos e mais tarde de bronze ou ferro. E mesmo após a criação das espadas a partir delas, vemos que nunca perdeu espaço pois sempre foi um utensílio muito comum e de muitos formatos, algumas mais fáceis de carregar, de esconder, arrumar ou descartar. Até hoje as técnicas de combate com faca ou adaga fazem parte do treinamento militar de várias unidades de combate. Embora a pólvora tenha substituído a lâmina no campo de batalha, sua eficácia e versatilidade faz da faca um instrumento extremamente útil no momento que outras alternativas falham.

Existem facas de vários tamanhos, algumas bem pequenas como canivetes e outras que quase chegam ao tamanho de uma espada como a bowie. Porém no perído antigo e medieval, o formato doméstico era diferente do formato militar, os soldados romanos usavam uma forma de faca chamada “Pugio” (uma lâmina larga, mas que mesmo assim priorizava a estocada), e a partir de 1250, podemos notar adagas de combate nas tumbas mortuárias de muitos cavaleiros e isto deve-se ao fato de a adaga se tornar não apenas uma arma secundária, mas um instrumento necessário no campo de batalha.

Com a evolução das armaduras, o fio das as facas perderam a utilidade e elas se tornam instrumentos principalmente de estoque para passar pelos locais mais vulneráveis das armaduras. E mesmo quando não usavam armaduras, podemos ver pelos manuais que o estoque ainda era a técnica preferida pois o pesado vestuário medieval permitia uma proteção significativa contra cortes. Um formato muito comum nos séculos XV e XVI era a adaga “rondel” – nome italiano dado às guardas circulares no 2 opostos da empunhadura:

“Eu sou a nobre arma chamada adaga, que deseja muito o combate aproximado. Aquele que compreende minhas traições maliciosas e minha arte que possui uma parte boa de cada exercício das armas … Quem me vê no jogos d’armas, me verá fazer defesas e estocadas juntos do combate corpo-a-corpo, tirando a adaga do oponente com giros e travamentos. E armas e armaduras são inúteis contra mim.”

Fiore dei Liberi, Flos Duolattorum.

Nosso treino:

Como vimos a faca pode ser usada em conjunto com várias armas, mas nesta seção do treino faremos a junção apenas a ao combate corpo-a-corpo. O combate com faca está intimamente ligado ao combate com mãos nuas, inicialmente a distância pode ser diferente mas com roupas e armaduras medievais podemos notar que os dois estilos terminam no clinch.

Um ponto interessante é que muitos manuais, como dos mestres Talhoffer e Fiore dei Liberi, unem os dois estilos por meio de técnicas de transição, usando mãos nuas ou bastões de madeira contra adaga. Além do bastão, vários utensílios podem assumir o papel de defesa ou ataque para realizar os golpes como travamentos, quebras ou se pontiagudos, estocadas.

Assim como no treino de combate corpo-a-corpo, também usamos outros conteúdos modernos como material do exército americano (Combatives – William E Fairbairn, Rex Applegate), kali silat, krav maga, livros de Bill Underwood e Don Pentecost.

O vídeo abaixo mostra como o sistema de combate medieval/renascentista usa os mesmos conceitos e técnicas usadas pelos militares americanos hoje em dia:

E o que preciso para treinar?

Para começar este treino você precisará ter completado o treino de combate com mãos nuas. O material necessário para o treino básico é apenas uma adaga de madeira:

Purpleheath Armoury Dagger

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